Litoral Sul

Sob pressão inglesa, o estado imperial brasileiro proibiu o comércio transatlântico de escravos africanos para o Brasil, em 1831. Apesar da lei, um intenso tráfico clandestino continuou a se dirigir para o litoral brasileiro, especialmente para as novas áreas cafeeiras que se desenvolviam no Vale do Rio Paraíba do Sul. O tráfico transatlântico só foi efetivamente reprimido no Brasil, após a aprovação de uma nova lei, em 1850. Nesses 20 anos, cerca de um milhão de escravos africanos chegaram no litoral brasileiro, especialmente na costa fluminense. Tais cativos, oriundos de áreas da África Central, povoadas por diferentes povos falantes das chamadas línguas banto, desembarcavam em portos clandestinos do litoral sul e norte do estado do Rio de Janeiro. É impressionante o mapa de territorialidade negra existente hoje no litoral sul fluminense, onde estão reconhecidas três comunidades remanescentes de quilombo, Marambaia, Bracuí e Campinho da Independência. É fortíssima a referência à prática do Jongo, do calango e de grupos negros de folia de reis, diretamente relacionadas à memória de ancestrais escravos e/ou africanos, registrados por pesquisas orais desenvolvidas desde a primeira metade do século XX (anos 40/ 70/ 90).

Entrevistamos principalmente moradores do quilombo do Bracuí e da Vila de Mambucaba, em Angra dos Reis.

O Quilombo do Bracuí reconstrói atualmente as manifestações culturais praticadas por seus antepassados escravos. Antigos jongueiros, calangueiros e foliões de reis se encontram e ensinam às gerações futuras esse patrimônio cultural. As ruínas de engenhos produtores de cachaça, a moeda de troca do tráfico, e o próprio relato da população local nos dão testemunho da existência do tráfico clandestino no Bracuí. Hoje o quilombo segue na luta pelo reconhecimento de suas terras, herdadas pelos escravos depois da doação do antigo proprietário, José de Souza Breves, em 1879.

“Bati muito pandeiro, cantei muito! Tinha jongo, tinha cana-verde –“// “(…) O mais que eu me ajustei muito foi o calango. O calango era um bocado bom também! Canoa também!(…).” Seu José Adriano, 81 anos, Bracuí , Angra dos Reis, c. 2004.

A vila de Mambucaba era o segundo porto de maior importância em Angra dos Reis, até a primeira metade do século XIX. Era responsável pelo escoamento do café vindo de Bananal, Cunha e Rio Claro, e também receptor de africanos que se dirigiam para as ares produtoras do Vale do Paraíba Como vestígios desse tempo de riqueza, Mambucaba preserva atualmente a Igreja Nossa Senhora do Rosário e a memória do jongo, do calango e das folias de reis.

Ainda continuamos fazendo entrevistas na região.

Contatos:

Grupo de Consciência Negra de Angra dos Reis Ylá Du Du(24) 92223822 - Délcio Bernardo

Associação dos Remanescentes de Quilombo de Santa Rita do Bracuí:(24) 99021264 - Luciana Adriano da Silva(24) 92597888 - Angélica Pinheiro(24) 99190026 - Flávia Adriano(24) 99566704 - Marilda de Souza Francisco

Principais festas:

Santa Rita - segunda quinzena de maio

São José - segunda quinzena de março

Homenagem a Zumbi - segunda quinzena de novembro