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Imagens Urbanas no Brasil: escultura pública e grafite urbano contemporâneo

Este projeto tem como objetivo discutir o universo da imaginária urbana. O recorte recai sobre o estudo de dois tipos de imagens urbanas: a escultura pública e o grafite urbano contemporâneo. O estudo investiga a história dos sentidos atribuídos aos espaços urbanos e às cidades no Brasil, para problematizar os processos de construção de identidades sociais e interrogar o patrimônio cultural. Ao lado disso, o estudo pretende colocar em discussão aspectos da história da arte no Brasil, pouco valorizados na historiografia e ressaltar como a arte pública se define como um campo de relações entre a sociedade civil e a sociedade política, entre o Estado e os movimentos sociais.

1) Os sentidos da escultura pública no Brasil
A escultura pública ocidental abarca um universo que mescla a escultura monumental de base narrativa e celebrativa, a escultura ornamental alegórica e a escultura contemporânea de caráter abstrato. O Brasil possui um acervo expressivo e que se relaciona com as diversas tendências da escultura ocidental. Sob a inspiração de Maurice Agulhon que renovou o estudo da escultura pública a partir da abordagem da história cultural, pretende-se enfatizar a análise de práticas e representações sociais que envolvem a promoção da escultura pública. Assim, se discute as diversas formas escultóricas ao indagar as lógicas de cada uma no campo da arte pública ao estabelecer relações entre ordem espacial e ordem temporal nas cidades. Para tanto, a pesquisa aborda as esculturas monumentais como resultado de operação historiográfica (cf. Michel de Certeau) particular, que envolve a ritualização do passado (cf. Fernando Catroga) e a invenção da história (cf. Stephan Bann).

Nesta vertente, ao lado de levantamento de fontes de época e de estudo formal, a pesquisa se desenvolve ao promover a identificação de acervos de escultura pública das cidades do Brasil por meio da construção de bancos de dados. Desse modo, é possível dar um tratamento geral a diferentes elementos como data de construção, tipologia, materiais, logradouro, iniciativa, etc. Ao lado disso, organiza-se também um catálogo de escultores das cidades do Brasil, assim como uma série de entrevistas com escultores.

2) O Grafite Urbano no Brasil Contemporâneo
O grafite pode ser caracterizado como inscrição livre sem tratamento de suporte. Nesses termos, sua produção é uma das mais antigas expressões humanas, que pode ser associada às inscrições rupestres da Pré-História. Em todos os tempos e sociedades se identificam diferentes manifestações dessa espécie. O grafite urbano contemporâneo foi marcado pela inovação do uso da lata de tinta spray e por inscrições de marca logotípica de letras emboladas, chamadas em inglês de tag. Suas primeiras inscrições surgiram na cidade de Nova York nos EUA no fim dos anos 60. No Brasil, a primeira inscrição urbana com lata de tinta spray aparece nos anos 70. Mas é somente nos anos 80 que ela se generaliza, ficando conhecida como pichação. O estudo se desenvolve sob a inspiração do trabalho de Jean Baudrillard, primeiro autor a tratar do tema num de seus famosos ensaios.

Nesta vertente, o projeto se dedicou a fazer um levantamento de matérias de imprensa entre 1970 e 1995, realizado na Agência O Globo, do Rio de Janeiro. Além disso, constituiu-se uma série de entrevistas realizadas com grafiteiros das décadas de 70, 80 e 90 do século XX.

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